A professora aposentada Lygia Fontão, 79, sempre praticou exercícios físicos, mas, após operar os dois joelhos e os dois lados do quadril para colocar próteses, buscou atendimento especializado em uma academia.

“Preciso fazer os exercícios para ganhar força. Aqui tenho orientação para fazer os movimentos certos”, diz a aposentada, que vai à academia três vezes por semana.

“A ginástica dá mobilidade; eu me abaixo, levanto e não sinto dor. Estou me sentindo ótima”, diz.

Fontão faz parte de um contingente que não representa nem 14% da população brasileira, mas que já responde por quase um terço dos frequentadores de academias de ginástica no país.

O percentual de maiores de 60 anos que se matriculam nesses serviços passou de menos de 5%, no início da década passada, para 30% agora, segundo a Acad Brasil (Associação Brasileira de Academias), com base em pesquisa feita em parceria com a PUC-RJ e a PUC-SP em 2010.

E a tendência é de crescimento contínuo. De 9,7% da população em 2004, os maiores de 60 passaram a 13,7% em 2014 e chegarão a 18,6% em 2030, segundo o IBGE.

Além de ocuparem fatia maior, viverão mais: a expectativa de vida ao nascer -hoje em 75,2 anos- deverá ser de 78,6 anos daqui a 15 anos.

“A tendência na área de academias é se especializar no atendimento a um público específico”, diz Beatriz Micheletto, consultora do Sebrae-SP. “Como a população brasileira está envelhecendo e caminha para ser maioria, serviços voltados para essa faixa etária têm bom potencial de expansão”, afirma.

A oferta de “musculação terapêutica”, ou “musculação supervisionada”, amplia o potencial dos serviços para os idosos. Essa é uma das atividades mais procuradas pela terceira idade, segundo a Acad, porque ajuda a prevenir problemas nos ossos.

Além dela, pilates e alongamento ganharam mercado em relação à hidroginástica, que era a mais procurada no início dos anos 2000.

As academias contratam professores especializados na orientação de idosos e precisam investir em equipamentos acessíveis a quem tem limitações físicas.

Um sistema de alavancas, segundo as empresas, ativa a musculatura de maneira a não sobrecarregar as articulações, evitando lesões.

EMPRESAS

De olho nesses dados, o empresário Carlos Pascotto Jr. abriu, há um ano, a Vincere, em Moema (SP). “Oferecemos musculação terapêutica para clientes avessos às academias convencionais”, diz.

“A maior parte do nosso público são pessoas que estavam sedentárias e que têm receio de se lesionar em academia convencional”, diz o empresário. Ele atende pessoas a partir de 40 anos, mas a média de idade é de 58 anos.

A academia, com cem alunos, atende ainda pessoas que têm desde dor nas articulações até mal de Alzheimer e mal de Parkinson.

Os alunos são atendidos em grupo de até quatro por fisioterapeutas. A mensalidade varia de R$ 328 a R$ 1.298.

Pascotto afirma que investimento no negócio foi de cerca de R$ 350 mil. “Atingimos o ponto de equilíbrio financeiro no sexto mês, quando a previsão era no décimo”, diz.

“Esperávamos que o retorno do investimento fosse de 36 meses, mas com o sucesso do negócio revisamos o prazo para 28 a 30 meses.”

O empresário já tem planos de abrir franquias até outubro. Para montar o modelo, conta com a consultoria do Sebrae-SP.

Outra empresa é a B-Active. Fundada há 11 anos em São Paulo pelo médico Benjamin Apter, a rede tem duas academias próprias e quatro franquias, com uma média de 200 alunos por unidade.

Os treinos são realizados com fisioterapeutas especializados em exercícios físicos, que atendem até três alunos por sessão. A mensalidade média é de R$ 550. A B-Active possui convênios com alguns planos de saúde.

“Nós nos associamos a faculdades de outros países para produzir os equipamentos com foco na terceira idade; depois, compramos as patentes”, afirma Apter.

“O crescimento do negócio foi muito rápido; começamos com seis equipamentos e atualmente temos 60.”

Com a demanda crescente, a B-Active planeja expandir as franquias.

Fonte: Folha de São Paulo