Uma campanha na Argentina joga luz sobre um tema polêmico e pouco discutido: a diversidade sexual na terceira idade.

Veiculadas no canal de TV aberta Acua Mayor, dedicado exclusivamente aos idosos, as peças da ação “A diversidade sexual não tem idade” mostram dois casais em cenas cotidianas. Um, com Norma Castillo, 72 anos, e Ramona Cachita Arévalo, também 72 anos, as primeiras lésbicas a se casarem no país vizinho, e que viraram símbolo da luta LGBT. O outro, traz Jorge Giacosa, artista e também militante da causa, falando sobre sua saída do armário.

Destaque no Brasil com a novela “Babilônia”, da TV Globo, que mostrou o beijo entre duas atrizes com mais de 60 anos, o assunto foi bem recebido pelo público no país vizinho, segundo Ricardo Iacub, professor-titular da cadeira Psicologia da Terceira Idade e Velhice da Universidade de Buenos Aires e assessor da Direção Nacional de Políticas para Adultos Idosos do governo daquele país.

A discussão tem o apoio do governo de Cristina Kirchner, que elegeu a diversidade sexual de idosos como um dos assuntos de destaque do ano. O país foi o primeiro  latino-americano a autorizar o casamento gay, em 2010, e tem uma população de quase 6 milhões de pessoas com mais de 60 anos, ou 14% da população, ante 8% no Brasil.

“Essas pessoas que estão chegando à velhice hoje não são os mesmo velhos de 30 anos atrás. Passaram por uma revolução cultural e sexual e isso não se para. Ser velho nessas duas últimas décadas, principalmente, é impactante. Vivem de outra maneira, totalmente distinta”, afirma Iacub, que veio ao Brasil para participar da Semana da Gerontologia promovida pela PUC-SP (Pontifície Universidade Católica).

“O grande desafio é naturalizar tudo isso que se produziu em leis e mudanças políticas, envolvendo o cotidiano.”

Fonte: Catraca Livre