Texto baseado no filme: O Último Amor de Mr. Morgan

Direção: Sandra Nettelbeck

Data de lançamento 3 de julho de 2014 (1h 56min)

Nacionalidades: Bélgica, Alemanha, França, EUA

 

 

Morgan é um professor inglês que vive na França. Viúvo há, como ele mesmo diz, há 3 anos, 2 meses e 11 dias… reside sem saber falar a língua do local, vivendo dessa forma isolado pois sua esposa sempre fez o papel de sua “intérprete”.  A pessoa com quem ele ainda “conversa” constantemente é a sua esposa já falecida. Tudo muda quando conhece Pauline, uma jovem que se prontifica a ajuda-lo no momento em que Morgan tropeça dentro de um ônibus. É, então, que se inicia uma relação de profunda amizade, pois Pauline, assim como Morgan, é solitária, que basicamente se relaciona com as pessoas para quem dá aulas de dança. Sendo importante ressaltar que os familiares de Pauline já são falecidos também.

Até a tentativa de suicídio de Morgan, pensamos realmente que ele é um solitário, que tinha apenas a esposa em sua vida, mas após esse evento, descobrimos que ele tem 2 filhos, ambos mais velhos que Pauline.

É só então que começamos a conhecer quem Morgan realmente é, um homem que basicamente decidiu ser solitário, não se relacionava bem com os filhos, vivia em função da chegada da hora de se reencontrar com a sua esposa.

Pensamos inicialmente que Morgan está apaixonado por Pauline. Ele chega a dizer que o cabelo da jovem parece o de sua esposa, mas ao longo da história vai ficando mais claro que o que Pauline representa, na verdade, é uma nova chance para Morgan ser o pai que ele nunca conseguiu ser.

Com a tentativa de suicídio de Morgan conhecemos seus dois filhos; a filha que tenta fumar no quarto de hospital que seu pai está, e seu filho, que havia se divorciado, mas que Morgan não sabia.

A relação de Morgan e Pauline é, logo de cara, bastante julgada em especial pelo filho, que vê Pauline como uma aproveitadora que deseja ficar com os bens de seu pai. E que na verdade, é apenas uma jovem que vê em Morgan uma possibilidade de resgate da relação com seu falecido pai.

As primeiras tentativas de reencontro entre Morgan e seu filho são fracassadas, especialmente pelo fato de haverem mágoas e segredos entre eles. Morgan, tendo se isolado do convívio familiar, de forma egoísta mas não proposital, pensava que somente ele havia perdido alguém. Não se dava conta e nem conseguia ter um olhar para seus filhos que, também, tiveram uma perda, a perda da própria mãe.

No momento em que segredos são expostos percebemos pai e filho não apenas se reconectando, mas conhecendo um ao outro pela primeira vez.

Outro ponto de se ressaltar no filme é o surgimento das questões financeiras provenientes de uma possível herança. Quando surgem novas configurações de relacionamento na terceira idade, essas questões vêm à tona com intensidade, principalmente, quando há herdeiros envolvidos. Quantas vezes vemos e ouvimos histórias em que a herança já está em pauta mesmo antes do falecimento da pessoa em questão?

O filme retrata este caso a partir do relacionamento de um senhor com uma mulher bem mais jovem, em que desperta o questionamento dos filhos sobre o que essa jovem teria visto em um senhor idoso.  Nesse caso do filme, não há um amor carnal, mas e quando há? Será que existe idade para o amor? Existe tempo ou idade certa para amar?

No caso do filme é mostrado um ideal, no qual Pauline não quer ficar com nenhuma herança de valor monetário de Morgan, mesmo este tendo lhe dado um chalé extremamente significativo emocionalmente para ele, e também de grande valor financeiro, mas sabemos que a realidade pode ser bem diferente.

Há um diálogo no filme, no qual Morgan e seu filho estão expondo seus sentimentos um para o outro. Neste diálogo é possível perceber a idealização que o filho fazia do pai, tendo passado a infância tentando agradá-lo. Quando esses sentimentos e idealizações vêm à tona podemos perceber o porquê da quebra do laço/vínculo da relação. E será que é preciso um evento desta magnitude, tal qual um falecimento, para se reatar ou mesmo adquirir laços de afeto com os entes queridos?

Como é difícil falarmos “eu te amo” para as pessoas mais importantes de nossas vidas?

… Como é difícil sairmos de nossas idealizações para olhar a pessoa real do outro!

…Como é difícil demonstrar e receber amor quando se mais precisa!

No filme, quem fazia a integração da família de Morgan era sua esposa, o que inclusive é ressaltado pelo próprio personagem.  Não há formula mágica para um relacionamento…. o que existe é o desejo de pessoas que se amam, mesmo com seus defeitos fazer a relação dar certo, é manter o vínculo vivo e o laço atado. Será que precisamos sofrer uma perda para nos darmos conta da importância dos vínculos existentes em nossas vidas?

Então, gostaríamos de deixar o convite para a reflexão: como estão suas relações hoje?

“Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”

Uma ótima semana a todos.

 

Escrito em conjunto por

Samantha Sittart – Psicóloga, especialista em psicoterapia analítica CRP 07/23524

Laura Cohen – Psicóloga, especialista em terapia vincular de casais e família CRP 07/15388