A evolução da tecnologia acarretou inúmeras mudanças nos mais variados segmentos da nossa vida. Os médicos podem diagnosticar com maior precisão utilizando equipamentos de tecnologia sofisticada, advogados podem apresentar suas petições eletronicamente através de sistemas informatizados, professores podem ensinar mais e melhor com recursos tecnológicos.

Você pode até não ser um entusiasta dessas inovações, mas é muito provável que tenha instalado em seu celular aplicativos para se comunicar por meio de mensagens instantâneas, ver rotas alternativas para desviar do trânsito congestionado ou compartilhar experiências em uma rede social.

Até a sua televisão deve ter sido conectada na Internet, para que você assista os seriados que gosta. A tecnologia alterou definitivamente a forma como vivemos e, esse é um caminho sem volta. O sucesso do jogo Pokemón Go está nos mostrando que a realidade aumentada concretizará um mundo em que será combinado simultaneamente a vida real (off-line) e a vida virtual (on-line).

Embora pareça fácil em um primeiro momento, trilhar esse caminho exige grande reflexão de todos nós, porquanto impõe novas questões éticas e de segurança com as quais não estávamos acostumados.

Enquanto os pais e avós são verdadeiros imigrantes nesse mundo digital, pois durante a infância e adolescência não existiam tais ferramentas e, muito provavelmente, o primeiro contato que tiveram com a Internet se deu na adulta, os filhos e netos são nativos desse ambiente. É normal ver hoje uma criança de menos de cinco anos manusear um smartphone com enorme habilidade.

Esse cenário coloca um novo desafio às famílias: como devemos educar nossas crianças para utilizar essas ferramentas de forma ética e segura? Não existem respostas prontas e, certamente, muitos outros questionamentos virão, porém a grande questão consiste nos pais e avós terem a consciência sobre a importância de educar também para essa nova realidade digital.

Orientá-los a não se exporem excessivamente na Internet, alertá-los sobre os perigos de pedofilia na rede, ensinar a utilizarem senhas para bloqueio de tela, acompanhar a instalação de aplicativos adequados à idade, são assuntos que devem fazer parte das conversas em família.

Embora o futuro do avanço da tecnologia ainda seja uma incógnita, o mais importante é orientar as crianças e jovens sobre a necessidade de respeitar os valores éticos e resguardar a segurança também no mundo virtual, afinal respeitar o próximo é uma premissa válida em qualquer ambiente e a qualquer tempo!

Camilla do Vale Jimene – Advogada e professora especializada em Direito Digital, sócia do escritório Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados Associados.