Veja matéria da Revista Zumm Ribeirão Preto sobre sugestões de Vinhos para o Verão e suas Harmonizações… aproveite e faça você mesmo suas combinações !!!

Jornalista – Culturalmente falando, como o vinho é visto no Brasil (um país que tem como costume “gostar mais de cerveja”)?

2016-03-09 Chico Olivi - Lucas Tannuri-4

Chico Olivi – Foto Lucas Tannuri

Chico Olivi – Sim, o brasileiro tem preferencia pela cerveja há anos, ainda mais com agora com a invasão das cervejas artesanais no mercado. Mas o vinho sempre teve e terá seu lugar na mesa do consumidor. O que falta é mais instrução daqueles que o consomem, em procurar alternativas que supram a necessidade do nosso clima e do gosto pessoal de cada individuo. Exemplos são os espumantes, brancos e roses, vinhos perfeitos para nossas estações mais quentes e seu leque de opções no mercado atende a cada tipo de bolso e gosto dos consumidores.

Jornalista – Porque a maioria das pessoas costuma tomar vinho somente nas estações mais frias do ano, como outono e inverno?

Chico Olivi – Os primeiros indícios de produção de vinhos datados na história veem da antiga mesopotâmia no oriente médio e depois se expandiu pela Europa, onde o clima é frio, facilitando assim o consumo de vinhos mais encorpados e em sua maioria os tintos. Então existe esta relação no inconsciente das pessoas de que o vinho se bebe no frio, mas isso é só um costume nacional que vem mudando ao longo dos anos. •

Jornalista – Necessariamente, um vinho caro é melhor que um vinho barato?

Chico Olivi – Infelizmente no mercado capitalista, a maioria dos produtos que custam mais caro são melhores. Mas nosso desafio como profissionais é justamente esse, encontrar opções que surpreendam pelo seu custo beneficio, ou seja, vinhos interessantes, com qualidade e bons preços, podendo variar de 30 a 50 reais por garrafa. Lembro que o aumento do dólar e os abusivos impostos de importação e as taxas de distribuição do produto no país que o governo impõe, acabam dificultando cada vez mais encontrar boas compras.

Jornalista – Cite e explique de forma detalhada 3 vinhos que são perfeitos para o verão (tipo de uva, sabor, textura…)

Chico Olivi – Os vinhos mais indicados para nosso verão são os espumantes de forma geral, brancos, roses e tintos mais leves… para todos eles o importante é servi-los de forma correta, na temperatura ideal de cada um deles. Espumantes são fáceis de beber e muito versáteis.
Harmonizam praticamente com qualquer tipo de alimento, dos queijos e frios, legumes e verduras, aperitivos, entradas massas e proteínas.
Exemplos, canapés, saladas, massas à base de molho branco ou vermelho, peixes crus, grelhados e cozidos… carnes cruas como carpaccios diversos, assim como carnes curadas e defumadas. Espumantes roses mais estruturados, inclusive, podem ser servidos com carnes de porco e carnes vermelhas assadas e grelhadas.
Brancos são para todo momento, desde um simples aperitivo à beira da piscina, almoços e jantares. Lembrem de utilizar os vinhos por sua estrutura e complexidade… pratos mais leves, menos gordurosos e condimentados, combinam com vinhos mais jovens, leves e fáceis de beber.
Pratos mais estruturados, carregados em temperos e gorduras, necessitam de vinhos brancos mais estruturados, com acidez marcante, sabor acentuado e passagem por madeira, que deixam os vinhos mais complexos.
Roses estão em alta e são usados como um “coringa” no que diz respeito à harmonização. São vinhos elaborados a partir de uvas tintas que ficam em pouco contato com as cascas onde está concentrada a pigmentação das uvas. Sendo assim, elabora-se um vinho servido na temperatura dos brancos, em torno de 8 a 12 graus. São ótimos parceiros de peixes crus e defumados, casam muito bem com salmão, atum e haddock.
Tintos mais leves, jovens, frescos e com sabor acentuado da fruta, servidos a temperatura de 10 a 15 graus, são ótimos parceiros do nosso clima quente e para aqueles que não abrem mão das castas tintas para acompanharem suas refeições.
Algumas uvas são mais fáceis de agradar, Malbec, Dolcetto, Zinfandel, Carignan, Mourvedre, Cinsault e a famosa Pinot Noir, resultam em vinhos menos agressivos ao paladar e mais fáceis de beber. São bons parceiros para massas ao molho vermelho, carnes bovinas menos gordurosas, assadas e grelhadas, exemplo o filé mignon.

Jornalista – Qual é a maneira correta de armazenar esses vinhos “de verão”? É necessário ter uma adega em casa?

Chico Olivi – Adegas climatizadas são uma ótima opção para armazenar vinhos e muitas possuem duas temperaturas, uma para branco e outra para tinto, que é muito bom. Geladeiras convencionais, reservadas apenas para bebidas, a uma temperatura mais alta, de 8 á 10 graus, também dão um bom resultado, desde que os vinhos nelas guardados sejam para o consumo do dia a dia. Geladeiras de uso doméstico, junto com os alimentos, já não são indicadas, o “abre e fecha” da porta agitam demais as garrafas e a oscilação da temperatura podem prejudicar a bebida.

Jornalista – Como funcionam as harmonizações com os vinhos? Ou seja, como as pessoas que não são experts no assunto podem acertar na hora de harmonizar pratos e vinhos?

Chico Olivi – Para os marinheiros de primeira viagem no mundo dos vinhos e suas harmonizações, a dica é não ter medo de errar. Com esta “super arma” que é a internet, pesquisem artigos e procurem referencias que podem auxiliar. Fiquem atentos com informações e notas dadas em sites e aplicativos onde os próprios leigos montam seus bancos de dados. Divirtam-se, sempre acompanhados da família e amigos, pois este é o verdadeiro motivo para que a gastronomia foi criada pelo homem e para o homem, com intuito de compartilhar bons momentos em boa companhia.