Tudo que fazemos na vida tem alguma motivação. Às vezes inconsciente e outras reconhecendo o verdadeiro motivo que nos levou a agir. Quando iniciamos a prática de mindfulness também temos uma motivação e isto, por si, já é uma contradição.

Existem duas formas principais de funcionamento de nossa mente: o modo fazer e o modo ser. O modo fazer é o que estamos acostumados a utilizar e caracteriza-se pela existência de um objetivo em nossa mente, algo a conquistar ou solucionar. Estamos habituados a manipular a realidade, a modificá-la de acordo com nossas expectativas e objetivos. Com a prática de mindfulness poderemos moldar o processo meditativo para alcançar o que queremos.

Entretanto, por definição, mindfulness constitui o modo ser, que se caracteriza por não ter objetivo. Consiste em experimentar as coisas como elas são, de forma natural, sem artifícios mentais. As expectativas distorcem e manipulam a realidade e, portanto, é importante não se prender a uma motivação especial durante a prática de mindfulness, simplesmente devemos estar aberto à prática.

Este é um aparente paradoxo: para que as práticas de mindfulness sejam benéficas não devemos ter expectativas ou buscar algo especial em cada uma delas. Quando estamos buscando algo, já não estamos presentes na experiência com abertura e curiosidade.

Extraído do livro : Manual pratico de mindfulness – curiosidade e aceitação. Capitulo 2 Demaco M. e Campayo, J.