Esse tema é muito importante e foi brilhantemente escrito por Lúcia Vasconcelos Lopes e trata muito bem de fatores como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, que fazem parte do desenvolvimento intelectual. E abaixo lemos seu artigo.

Para que esta temática fosse tratada com leveza, necessário se faria a não inclusão de alguns termos técnicos. Mas, impossível nos foi a retirada daqueles mais relevantes, para efetivar-se um bom entendimento de alguns destes termos, principalmente, quando nos interessa saber, um pouco pelo menos, de quando algo não vai bem com nossos corpos ou mentes, naquilo que tange essencialmente à terceira idade.

Assim, iniciaremos com algumas colocações básicas, mediante à complexidade do tema. Esperamos que lhes sejamos úteis.

Num sentido lato, o comportamento humano inclui tudo que o indivíduo faz ou sente. Já num sentido restrito, apenas se inclui respostas objetivas ou publicamente observáveis. Igualmente, a cognição em seu sentido maior é conhecida conceitualmente num leque onde se inscrevem todas as formas de comportamento.

Tal conceito comporta a compreensão, a imaginação, o julgamento, citando apenas alguns. Todos estes elementos terão que ser compatíveis com a realidade sociocultural onde se inserem os indivíduos em suas vivências.

Relevante a observação das diferentes tipicidades nas ambiências várias onde se nasce, se desenvolve e se comportam os indivíduos sociais. Dentre os comportamentos cognitivos dos indivíduos e, relativamente aos idosos, a observância de suas ações/reações são mais facilmente percebidas quando inseridos em seus grupos de pertencimento.

Mais fácil, então, se torna verificações dos mimetismos sociais ou, ao contrário, quando se vê grupos desorganizados, sem apresentação de um bom nível de harmonia (reações socialmente incompreensíveis).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca a capacidade funcional e a independência como fatores preponderantes para o diagnóstico da saúde física e mental na população idosa.

Na denominada terceira idade (e não há parâmetros de idades fixas para mensurar-se seu início), a realização para testes práticos aos comportamentos incompreensíveis, que alertem o próprio indivíduo ou familiares pode ser uma adequada observação na realização das tarefas cotidianas do indivíduo. Estas envolvem a participação dos idosos nas funções cognitivas, onde encaixam-se aquelas motoras, as de personalidade e as psicológicas.

Daí um necessário esclarecimento prévio do próprio indivíduo interessado, além das observâncias daqueles que o cercam.

É a mobilidade, pois, um pré-requisito de máxima relevância para a manutenção da independência. O processo de senilidade está assim intrinsecamente relacionado ao declínio da mobilidade.

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Sua ausência afeta desfavoravelmente o equilíbrio motor associado principalmente, a quedas e fraturas consequentes. O seu contrário (plena mobilidade) é sintoma de independência e saúde nos indivíduos mais idosos.

As avaliações cognitivas devem ser acompanhadas das avaliações funcionais ou vice-versa. Já que se sabe serem as avaliações cognitivas voltadas ao processamento cognitivo central e suas respostas, aquelas denominadas funcionais tratam mais diretamente da qualidade da auto-manutenção e boa qualidade no desempenho de papéis.

Ambas as avaliações estão intrinsecamente ligadas. Entretanto, não há causa para pânicos nos mais idosos. Justamente pelo fato de que os sintomas de doenças cognitivas são geralmente resultados de doenças consideradas irreversíveis na terceira idade. E, isto não é tão comum assim.

Os Mini-Exames de Estado Mental (MEEM) são capazes de revelar as mais importantes incapacidades nos indivíduos idosos. O termo genérico teoria-cognitiva-comportamental (TCC) onde teorias são transformadas em práticas é essencialmente formulado pelo modelo cognitivo e suas conseqüentes manifestações comportamentais.

Tem havido, para tranqüilidade dos maiores de 60 anos, um progresso contínuo no desenvolvimento das terapias cognitivas. A prática clínica mostrou que a Terapia Cognitiva (TC) traz resultados de taxas positivas, com ou sem uso de medicação.

Lembremo-nos que hoje os paradigmas de tratamento são inovadores, apresentando números superiores no controle dos sintomas apresentados como atípicos na terceira idade. E, já que falamos e entramos no século XXI, é possível dizer-se estarmos nós na própria era cognitiva.

Isto, porque a tecnologia atual possui também um sistema que nos ajuda a entender, via seus “bites” a importância benéfica no entendimento das experiências de nossas vidas

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Significados vários estão hoje ao dispor dos mais idosos, com destaques àqueles de interesse dos grupos específicos, onde prevaleçam suas ambiências socioculturais.

As renovações interativas podem, se bem utilizadas, abrir caminhos na busca de um bem maior. Qual seja, uma melhor qualidade de vida. Aos mais idosos ou não.

Deixemos que os neurologistas, os psiquiatras e outros especialistas da era cognitiva nos apontem os melhores caminhos neste processo inexorável chamado vida. Dentro do seu natural processo de envelhecimento. Sem medos ou culpas. Assim nos aponta a cognição.

Escrito por: Lúcia Vasconcelos Lopes é mestre em Comunicação Social, ex-professora da UFPE.

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