Mercado Sênior: A oportunidade

É mais importante do que nunca, é urgente, para os inovadores, de maneira destacada aos que atuam no mercado de saúde, terem uma estratégia para envolver os 50+ em sua audiência. Há enormes oportunidades para novos produtos e serviços em áreas que vão desde a dieta e a aptidão física, indo para a coordenação de cuidados, monitoração de sinais vitais, e gestão de medicamentos.

Abaixo apontamos estão quatro coisas que os empreendedores, empresas e investidores devem saber sobre este mercado vital:

1 – O mercado dos 50+ é enorme e crescente

O segmento populacional que mais aumenta na população brasileira é o de Idosos (acima de 60 anos conforme IBGE), com taxas de crescimento de mais de 4% ao ano no período de 2012 a 2022. A população com 60 anos ou mais de idade passa de 14,2 milhões, em 2000, para 19,6 milhões, em 2010, devendo atingir 41,5 milhões, em 2030, e 73,5 milhões, em 2060. Em apenas 30 anos, entre 2000 e 2030 o número de pessoas com mais de 50 crescerá três vezes.

A população brasileira de 30 a 59 anos de idade apresenta crescimento, tanto na participação relativa quanto em valores absolutos, em todo o período de 2000 a 2030. Esses adultos, que correspondiam a 59,2 milhões de pessoas em 2000, representando 33,6% da população, devem alcançar 95,4 milhões em 2030, ou 42,7% da população.

O crescimento da população reflete-se no crescimento do mercado, conforme a distribuição de custos dos cuidados com a saúde está fortemente interligada com a idade, um fenômeno que assume relevância crescente como as gerações que estão entrando nesse segmento. Após o primeiro ano de vida, os custos de saúde são mais baixos para as crianças, sobem lentamente ao longo da vida adulta, e aumentam exponencialmente depois dos 50 anos.

Isso não é diferente no resto do mundo:

No ano de 2000 nos EUA, havia um total de 77 milhões de americanos com mais de 50 anos de idade, e até 2012 esse número dos 50 cresceu para 104 milhões. Em 2020, o número de pessoas com mais de 50 serão em número de 118 milhões, e em 2030 132 milhões. Em apenas 30 anos, entre 2000 e 2030 o número de pessoas com mais de 50 será quase o dobro. Em 2030 os 65 anos ou mais representará 1 em cada 5 americanos.

2 – O mercado dos 50+ tem um tremendo poder de compra

“O Brasil vem passando por uma transição da estrutura etária. Mas esta transição não ocorre de maneira uniforme entre as “classes” sociais. Considerando os diferentes níveis de renda, as mudanças na pirâmide populacional ocorrem de maneira diacrônica.

Como a transição da fecundidade foi liderada pelas camadas de mais alta renda e maiores níveis educacionais, a pirâmide da “classe” de maior posição de renda começou a mudar há mais de 50 anos. As classes médias seguiram o mesmo caminho com um certo lapso de tempo.

As “classes sociais” mais pobres, abarcando a população coberta pelo Programa Bolsa Família, iniciaram o processo de declínio da fecundidade com um certo atraso e só apresentaram uma redução da natalidade na primeira década do século XXI. Ou seja, na última década, diminuiu o número absoluto de nascimentos de crianças morando em domicílios com renda per capita menor de R$ 70,00 (valor de 2010)”.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 06/05/2015

Desenhando temos o seguinte:

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A interpretação é que as pessoas que atingem níveis maiores de longevidade são as de renda maior, e maiores níveis educacionais, e isso vai continuar a acontecer por um período razoável.

Acrescente a isso o seguinte: estudos mundiais (incluindo o Brasil) mostram a mudança de comportamento de gasto de consumo de acordo com avanço da idade.

A razão de consumo específico em relação aos ganhos reduz-se com a idade, pelo fato de redução de despesas de educação e manutenção de filhos, além da tendência de crescimento de casais e indivíduos morando sozinhos.

Novamente desenhando, temos:Consumo Específico por Idade

Interpretação: pessoas mais idosas terão mais disponibilidade de recursos para consumo.

De acordo com os dados da Receita Federal DIRPF2014, os declarantes com idade entre 51 a 80 anos são 41% dos declarantes, tem 66% dos bens e direitos, 46% dos rendimentos tributáveis, e aproximadamente 60% dos rendimentos isentos e dos tributados exclusivamente.

Isso não é diferente no resto do mundo:

Pessoas com mais de 50 nos Estados Unidos têm o maior patrimônio de qualquer segmento da população, respondendo por US $ 3,01 trilhão em gastos do consumidor em 2013. Este grupo representa mais da metade de todas as despesas de consumo de adultos nos Estados Unidos. Ao longo dos próximos 20 anos, espera-se que gastos por pessoas de 50+ aumentem em 58%, para US $ 4,74 trilhões, enquanto os gastos pelos americanos com idades entre 25-50 crescerá apenas 24%, para US $ 3,53 trilhões. Para colocar isso em contexto, imagine a população 50+ foi um novo país no mapa do mundo – um território em rápida expansão de mais de 100 milhões de pessoas, associado com US $ 7 trilhões em atividade econômica de cada ano. Se este grupo fosse seu próprio país ele irá se classificar em terceiro lugar, atrás apenas da China e os EUA, como uma força na economia global.

Escrito por: David Lederman
Fonte: http://senior.ledermanconsulting.com.br/marketing-vendas-consultoria/o-mercado-senior/