Para se viver um amor é preciso estar absolutamente feliz e satisfeito com o que se construiu na vida. Ser profundamente grato por estar vivo e participar deste grande experimento divino. Ter um ‘que’ de autossuficiência, não para descartar o outro, mas para não jogar em cima dele a responsabilidade de resolver o que apenas nós mesmo podemos fazer. Para poder compartilhar do melhor e esperar compreensão e solidariedade do pior.

É preciso autoconhecimento e uma boa dose de maturidade.

É preciso já ter vivido paixões incendiadoras, daquelas de se consomem em poucos meses e nos levam a novos patamares de prazer e erotismo. É preciso já ter acreditado que o outro é você e você é o outro, para depois entender que o paraíso eterno é uma ilusão. Que somos indivíduos complexos e que não podemos nos fundir e muito menos nos perder no outro. Que a diferença enriquece, nos reflete e ensina. Que as afinidades nos aproximam e comungam.

Para viver um amor é preciso se sentir repleta de bênçãos e de afetos de todos os tipos, (família, e amigos). Vivenciar a espiritualidade e a fé. Saber, sem sombra de dúvidas, qual o nosso valor e quais valores defendemos neste mundo.

Para se viver um amor é preciso compaixão. Ter aprendido a tirar o olho do próprio umbigo para se descobrir no umbigo do outro. É preciso não ter perdido a visão encantadora e pueril da infância. Ser tão moldável, inodora, límpida, imperativa e determinada quanto as águas de um riacho.

Para se viver um amor é imprescindível se sentir bela. 

Parar de correr atrás da juventude e aceitar que cada estágio da vida apresenta suas compensações. Que Deus foi perfeito quando determinou que o envelhecimento de nossos corpos fosse compensado com sabedoria e paz interior.

Para se viver um amor é preciso trabalhar como o ourives, usando de paciência e de maestria para lapidar e revelar o ouro e os tesouros do companheiro. Aprender com os alquimistas que as transformações exigem tentativas e experiências, e que os erros são a ponte que nos leva às grandes criações e descobertas.

Para se viver um amor é preciso desenvolver o potencial materno, independentemente de ser mulher ou homem. Cuidar do outro sem esperar nada em troca exige incondicionalidade de afeto e generosidade, o que somente pode ser alcançado quando já recebemos o suficiente para nos alimentarmos e agora temos excedente para ser doado.

Para se viver um amor é preciso estar aberto para participar da conspiração do universo. Ele será um encontro casual e cotidiano: na fila da padaria, durante as compras no varejão, abastecendo o tanque de gasolina, no teatro infantil, no parquinho, na calçada, enquanto se caminha sob o sol, festejando a vida.

Para se viver um amor é preciso penas que isso seja um desejo da alma…