Uma das melhores experiências que tive foi saltar de paraquedas, tinha 50 anos e estava divorciado há três. Minhas filhas e sobrinhas convenceram a mim e a minha cunhada a irmos saltar com elas. Aceitamos meio que de impulso, sem pensar muito.

No dia combinado para o salto, chegamos em Boituva em torno das 9h00, contratamos o serviço que incluía treinamento, roupas adequadas, fotos, filmagem e por fim o salto.

Após o treinamento embarcamos num pequeno avião. Logo na decolagem senti muito medo, não pelo salto em si, e sim pelo pequeno avião (acredito que todos os novatos nessa atividade se sintam assim)Ao atingirmos a altitude necessária cada um de nós ia pulando em sequência, sempre com um instrutor  junto; não sei o que dava mais medo, se era ter que saltar ou permanecer naquele avião, diante das duas alternativas saltei, ou melhor, praticamente fui saltado pelo instrutor. 

Olhar a terra de cima para baixo é algo muito diferente do que estamos acostumados. Os primeiros 50 segundos de queda livre, antes de o paraquedas abrirao mesmo tempo em que me apavorou deu uma sensação de liberdade incrível, a velocidade da queda e o vento contra meu rosto me impossibilitou pensar, apenas sentir, são 40-50 segundos que parecem eternos.

sensação é fantástica e me proporcionou outra visão do mundo, me senti forte e poderoso. Passados esses “eternos” segundos o paraquedas abriu, nesse momento uma paz muito grande me envolveu. Se antes estava com a adrenalina a mil, agora sentia paz e apenas apreciava a vista e a delicadeza do voo. Posso afirmar que o salto nos dá autoconfiança e vale a pena.

Mas aconselho aos maiores de 50 anos a não assistirem ao filme de seu salto, pois você terá um choque. Diferente dos jovens que saltando expressam medo, alegria e prazer em seus rostos, para nós mais velhos a única expressão que vemos é nossas bochechas ficarem atrás de nossas orelhas, isso por termos a pele mais flácida. Contra o vento não há argumento!