Aos 75 anos, Regina Guerreiro, uma das editoras de moda mais importantes do país, idealizou uma sessão de fotos nada usual com o fotógrafo Miro. A de seu velório.

Desenhou em papel tudo que imaginou, da luz ao estilo da roupa que estaria vestindo. Por ter fama “de ser muito má”, diz, em vez de flores no caixão, mandou colocar várias almofadinhas no formato de coração cheias de alfinete. “Vou ser enterrada com alfinetadas”, fala.

A editora explica o desejo mórbido: “Queria me ver bem. Se tenho essa chance, vou encarar esse momento”.

Trechos desse ensaio serão exibidos no primeiro episódio de “Outros Tempos – Velhos”, série que o Max estreia nesta terça (4), tendo a velhice como tema.

Em oito capítulos, a coprodução do canal pago com a Prodigo Films, com direção de Eduardo Rajabally, Giulianio Cedroni e Susana Lira, traz também depoimentos do cantor Ney Matogrosso, 74, da fotógrafa Maureen Bisiliatt, 86, do músico Hermeto Pascoal, 81, e do advogado Hélio Bicudo, 94, entre outros.

Em cada episódio dois personagens falam sobre envelhecer: alegrias, medos etc.

Regina, por exemplo, comenta a solidão. “Passo milhões de sábado sozinha. Milhões de domingo o telefone não toca”, fala.”É proibido envelhecer no Brasil”.

A série trata da velhice por meio das entrevistas com os personagens. Não há dados nem especialistas falando.

NÃO É MELHOR IDADE

Esse viés cheio de informações, diz o diretor e roteirista Giuliano Cedroni, já foi muito explorado em outras narrativas sobre a velhice, daí o foco ser o dos depoimentos.
“A mídia foi invadida por especialistas, pessoas que têm opinião para tudo. Não queríamos isso”, diz.

Cedroni conta que a ideia da série é mostrar uma outra versão da velhice, “mais real”, já que há muito preconceito no país com os idosos. “A própria palavra velho é neutra, mas ninguém gosta de usar. Porque repetimos os slogans do mercado que dizem que velho é ruim”, afirma. “E queríamos dar outra perspectiva sobre envelhecer, que não tem a ver com essa besteira criada também pelo mercado, que é a melhor idade.”

Na série, o rimo é lento. Há closes em rugas, papadas, algo que não estamos acostumados a ver na TV.

Para Ney Matogrosso, os resultados da passagem do tempo no corpo provocam uma sensação estranha, já que na cabeça tudo continua igual.

“Mas vai fazer o quê? Meter uma bala na cabeça?”, questiona o cantor.

“Vou viver com medo do futuro? Tem coisas que não estão no nosso controle, que a vida bota na frente. E aceito. Tem que aceitar mesmo, abrir sua compreensão e falar: isso é inevitável.”

NA TV

Outros Tempos – Velhos
Quando terças, às 23h, as terças, no Max

Fonte: Folha de São Paulo