As coisas precisam mesmo fazer sentido? A vida toda achei que sim. Era uma das certezas que tinha. Se não faz sentido, não encaixa, tem que existir alguma coisa por trás ou está errado.
Aliás, esta ideia me agarrou tanto e fui tão fundo nela que descobri que o mundo, inclusive eu e todas as partes de mim, tinham incongruências, paradoxos. Como se a polaridade fosse mesmo inerente e intrínseca a todas as coisas.

E disso, a lição que sai do mergulho no complexo é: seja simples. E o que é ser simples? É olhar em volta com objetividade. Sabe aquela sabedoria do homem do campo, da criança, onde o grande mestre é o poder de observação? Está com fome,coma. Está com frio, se agasalhe. Se sente só, ame. Está triste, busque consolo. Se gosta, gosta. Se não gosta, não gosta. E esse gostar não quer dizer desejar o mal do outro. É só não gostar.

Quer algo, conquiste. Não quer, fique na sua. E esta conquista não significa tirar nada de alguém, assim como o não querer, não quer dizer que nunca almejará algo.

Todos os problemas que criamos tem a ver com o julgamento que fazemos das nossas vontades, das nossas necessidades. E é em cima deste julgamento próprio, que surgem o medo, as defesas, as muralhas e até a maldade. Se não podemos ser quem gostaríamos, não podemos permitir que outros sejam.

Quando inventaram o famoso “tem que”, ficamos presos a um questionamento que nunca entendemos e sempre nos oprimiu. E “tem que” algo que alguém falou para nós e a gente passa acreditar que é verdade.

Daí tem o grupo do tem que isso, do tem que aquilo. Além dos mecanismos de consumo, excelentes em criar “tens que” de mercado para fazer mais dinheiro. Agora, na era da informação e do conhecimento o que tem de “tem que” ligado a como fazer a gente mais feliz e que só vai complicar mais a vida!

É uma explosão de criatividade, que se expressa através do ser humano. São muitos “tem que”, impregnados de forma direta ou subliminar na nossa mente. Alguns com posições cada vez mais radicais e outros flexíveis até demais. Estou vendo a hora que chegaremos num ponto onde,finalmente, explodiremos e riscaremos o “tem que” das nossas vidas.

Talvez seja através desta loucura que consigamos, finalmente, ouvir o silêncio. Do simples, sem muitas histórias das mentes elaboradas e afetadas. É como um ponto de saturação que quando explode cai num vazio e a gente enxerga: mas era só isso?!?

O simples não tem a ver com o que se tem. Não é conta bancária de dinheiro, nem de conhecimento ou de espiritualidade, que de nada valem se não forem bem utilizados. Não é acúmulo de qualquer espécie. Tem a ver com o como lidamos com a nossa realidade, no momento presente, para que esta nos faça feliz. É o famoso faça do limão uma limonada ou uma caipirinha. Ou seja, estar presente não é dar uma de Poliana, mas de MacGyver. Lembram dele? Use todos os recursos internos e externos para resolver uma questão e sair do lugar ao invés de ficar preso ao problema. Isto é ser simples.

Mas também se estiver gostando de curtir uma dorzinha, joga no lixo tudo isso que você leu e aperta aquele botãozinho lá em cima. Comece agora o seu “tem que…o que mesmo”?

Fonte: Vamos Meditar